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Cistite Intersticial: Síndrome da Bexiga Dolorosa — Diagnóstico e Tratamento

A cistite intersticial (CI), também denominada Síndrome da Bexiga Dolorosa (SBD), é uma condição urológica crônica e debilitante caracterizada por dor pélvica persistente, pressão ou desconforto na bexiga associados a sintomas urinários — urgência, frequência aumentada e noctúria — na ausência de infecção bacteriana ou outra causa identificável.

Afeta predominantemente mulheres (razão 5:1 em relação aos homens), mas pode acometer ambos os sexos. O diagnóstico frequentemente leva anos até ser estabelecido, com média de 4 a 7 anos após o início dos sintomas.

Causas e Fisiopatologia

A causa exata da cistite intersticial ainda é objeto de pesquisa ativa. As teorias mais aceitas incluem:

  • Disfunção do urotélio: defeito na camada de glicosaminoglicanos (GAG) que protege a parede vesical, permitindo que substâncias urinárias irritantes penetrem na muscular
  • Ativação de mastócitos: inflamação neurogênica com liberação de histamina
  • Fatores neurológicos: sensibilização central e hiperatividade dos nervos pélvicos
  • Autoimunidade: alguns pacientes apresentam anticorpos contra componentes vesicais

Sintomas

  • Dor pélvica crônica (constante ou intermitente), que pode irradiar para períneo, vagina ou uretra
  • Urgência urinária intensa
  • Frequência urinária muito elevada (pode chegar a 40–60 micções/dia nos casos graves)
  • Noctúria
  • Dor que piora com enchimento da bexiga e melhora com o esvaziamento
  • Piora com alimentos e bebidas ácidas, álcool, cafeína, adoçantes artificiais
  • Dor durante relações sexuais (dispareunia)

Diagnóstico

Diagnóstico de exclusão — afastar infecção urinária, câncer de bexiga (pela cistoscopia), cálculos vesicais e endometriose (em mulheres). A cistoscopia com hidrodistensão revela glomerulações (petéquias) características em muitos casos. A biópsia vesical confirma infiltração de mastócitos em casos de úlcera de Hunner.

Tratamento Multimodal

Não há cura definitiva — o objetivo é controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida:

Modificações Comportamentais

  • Dieta específica para bexiga dolorosa (eliminar ácidos, cafeína, álcool, adoçantes)
  • Treinamento vesical gradual

Farmacológico

  • Pentosanpolissulfato de sódio: reidrata a camada GAG vesical (efeito tardio, após 3–6 meses)
  • Amitriptilina: analgésico central e anticolinérgico
  • Anti-histamínicos: hidroxizina
  • Analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor

Instilações Intravesicais

Solução de heparina, lidocaína e bicarbonato administrada diretamente na bexiga via cateter, com alívio sintomático rápido. Dimetilsulfóxido (DMSO) também é aprovado para uso intravesical.

Procedimentos

  • Cistoscopia com hidrodistensão: alívio temporário dos sintomas
  • Toxina botulínica intravesical
  • Neuromodulação sacral para casos refratários
  • Fulguraração de úlceras de Hunner quando presentes

A cistite intersticial exige abordagem multidisciplinar e acompanhamento urológico contínuo. Veja também bexiga hiperativa, condição que pode se sobrepor. Agende sua avaliação com o Dr. Guilherme Tashiro.

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